O número de atendimentos da Linha SNS24 aumentou 58,9%, entre 2024 e 2025, tendo sido acompanhado pelo agravamento dos tempos de espera, com algumas pessoas a aguardarem mais de 30 minutos. Os dados constam de um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) que analisa o impacto do projecto “Ligue Antes, Salve Vidas” no acesso a cuidados de saúde.
A análise indica que, entre 2024 e 2025, “o número de chamadas telefónicas atendidas pelo Serviço de Triagem, Aconselhamento e Encaminhamento (STAE), da Linha SNS 24, aumentou 58,9%”. No entanto, de acordo com a ERS, esta subida fez-se acompanhar “por um agravamento dos tempos de espera para atendimento telefónico, tendo-se observado um aumento significativo das chamadas com espera superior a 30 minutos em 2025”. Assim, em 2024, o número de chamadas com espera superior a 30 minutos era de 58.525; já em 2025 passou para 466.751.
O estudo revela ainda que, embora a maioria dos encaminhamentos da Linha SNS24 para Cuidados de Saúde Primários (CSP) tenha resultado em agendamento de consulta, “houve uma redução da percentagem de episódios com agendamento efectivo de consulta aberta e um aumento das situações que resultaram em teleconsulta”.
Por sua vez, o encaminhamento para cuidados de saúde hospitalares obteve “níveis muito elevados de referenciação para Serviço de Urgência (SU)” ou consulta aberta hospitalar, com valores iguais ou próximos dos 100%.
“Ainda assim, observou-se em 2025 um aumento de situações de recusa dos utentes (mais 0,7 pontos percentuais) e de episódios sem referenciação por constrangimentos técnicos (mais 0,1%), embora permanecendo residuais, em termos relativos”, sublinha a ERS.
Aumenta utilização dos CSP
A investigação aponta também que, em 2025, se observou um aumento dos episódios referenciados para SU que, depois da triagem hospitalar, foram reencaminhados para CSP, sobretudo, nos casos classificados como “Pouco Urgente” (6,2%) e “Não Urgente” (16,8%).
“Os dados evidenciam um aumento muito significativo da utilização dos CSP. Apesar de a Linha SNS24 manter predominância enquanto principal via de encaminhamento, em 2025 observou-se uma redução progressiva da sua proporção relativa no total de consultas não programadas, acompanhada pelo aumento dos episódios agendados directamente pelos utentes ou por outras vias, o que poderá reflectir uma adaptação progressiva dos utentes ao novo modelo organizacional”, explica a ERS.
A entidade elogia, assim, os CSP por considerar que estes “mantiveram elevada capacidade de resposta, assegurando tempos reduzidos de espera para consulta não programada, com mais de 90% das consultas a serem realizadas em menos de 24 horas após referenciação”.
Por outro lado, com base na análise das reclamações dos utentes, a ERS identificou padrões recorrentes de constrangimentos na operacionalização do projecto “Ligue Antes, Salve Vidas”. Nesse sentido, emitiu uma instrução aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) sobre a “qualidade e efectividade da referenciação, a articulação operacional do modelo e a capacidade de resposta da Linha SNS24 em períodos de pressão assistencial acrescida”.
A entidade fez ainda uma recomendação às 27 Unidades Locais de Saúde abrangidas pela iniciativa, com o objetivo de garantir “que os mecanismos de referenciação prévia não constituem um obstáculo ao acesso dos utentes a cuidados de saúde adequados, integrados e prestados em tempo clinicamente aceitável”.
Recorde-se que o “Ligue Antes, Salve Vidas” é um projecto-piloto que visa diminuir a pressão nas urgências. Lançado pela Direcção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, em 2023, está, actualmente, em vigor nos hospitais públicos.
Fonte: Campeão das Províncias