Águeda, Aveiro, 20 de Julho de 2024

Aveiro: Pescadores inconformados com proibição da apanha de amêijoa

10 de Março 2021

“De modo algum concordamos com esta decisão, tomada num tão curto espaço de tempo, sem que tivessem sido averiguadas as causas ou fontes de contaminação”, declara o presidente da APARA numa exposição dirigida ao IPMA, em que quer que sejam dados esclarecimentos aos pescadores, “para evitar a sua revolta”.

Numa exposição dirigida ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) sobre a reclassificação das várias espécies de amêijoa e ainda de mexilhão na zona de produção RIAV1 (que abrange desde a entrada da Barra até à Ponte da Varela), o presidente da Associação, Pedro Lopes, reconhece existir “algo de estranho”, a avaliar pelas análises à água, mas exige que seja averiguada a causa.

Na exposição feita ao IPMA, a Associação manifesta a surpresa pela decisão, tanto mais que as amostras colhidas periodicamente, “a maioria das vezes têm resultados bastante satisfatórios”.

Reconhece, contudo, que por vezes se verifica a ocorrência de descargas de efluentes não tratados para a Ria, “ao que tudo indica provindos de explorações agrícolas”, que poderão contaminar a qualidade das águas, mas exige fiscalização das diversas entidades com jurisdição na Ria.

“É problemático ou mesmo catastrófico para a comunidade piscatória da Torreira e da Murtosa e para a pesca profissional que depende em grande parte da comercialização de bivalves”, comentou à Lusa Acúrcio Santos, da APARA.

Segundo Acúrcio Santos, a consequência da reclassificação de todas as espécies de ameijoa e do mexilhão significa que a comunidade piscatória que trabalha naquela zona “só vai poder comercializar diretamente para o fresco duas espécies de berbigão e a navalha”.

“Temos que ver quais são as causas, porque as consequências são gravosas e a comunidade piscatória vai deixar de trabalhar durante vários meses e ninguém está preocupado com isso”, reforça.

“Não é só atirar a responsabilidade para os outros e penalizar a pesca profissional porque é o elo mais fraco”, conclui.

Lusa


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