Águeda, Aveiro, 26 de Fevereiro de 2024

Empreendimentos turísticos do Centro com quebras superior a 75% em Dezembro

18 de Dezembro 2020

Mais de 60 por cento dos 1 100 empreendimentos turísticos da Região Centro devem registar em Dezembro quebras superiores a 75 por cento nas receitas, comparativamente a 2019, disse Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal (TCP), à agência Lusa.

Segundo Pedro Machado, esta tendência deverá manter-se nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2021.

O responsável salientou que “as medidas anunciadas pelo Governo, nomeadamente o programa ‘Apoiar’, estão neste momento a ser recebidas com alguma satisfação”, no entanto não são “suficientes para inverter a tendência da perda de receita e, muito em particular, da diminuição do número das reservas”.

“Sobretudo, quando está anunciada a suspensão de muitas festividades associadas à passagem de ano ou quando muitas estão a ser substituídas por festas que podem ser acompanhadas online”, sublinhou.

A juntar a este cenário, Pedro Machado acrescenta “a perda compulsiva do mercado espanhol, que eram normalmente turistas que vinham para o Centro de Portugal e, em particular, para as festas com maior dimensão”, como é o caso de Aveiro, Figueira da Foz e Mira.

“São, normalmente, festividades muito fortes na passagem de ano e que este ano não vão poder contar com o mesmo número de portugueses e, particularmente, não vão poder contar com o número significativo de turistas espanhóis que estavam habituadas a receber nos anos transactos”, frisou.

Além disso, 45 estabelecimentos turísticos da Região Centro vão estar fechados, “o que é um dado preocupante, pois normalmente não existia esta tendência de encerrar tantos estabelecimentos turísticos durante o período de Natal e de final do ano”.

“A única janela de oportunidade que acredito possa vir a acontecer será se o Estado conseguir cumprir o primeiro e o segundo ciclos de vacinação, no sentido de reforçar a confiança dos mercados, sobretudo os mercados emissores que estão agora a vacinar, como é o caso do Reino Unido, Alemanha e França, entre outros”, previu o presidente do Turismo do Centro.

Pedro Machado considerou que a situação pode melhorar, “se estes países fizeram a escolha óbvia em 2021, que é Portugal, por ser um destino que está num raio de duas ou três horas de avião, e que esta a vacinar, à semelhança dos países europeus, e é a alternativa válida a destinos como o Brasil, Estados Unidos ou África”.

O responsável adiantou, ainda, que, em Novembro, “mais de 49 por cento das empresas de alojamento registaram quebras superiores a 90 por cento na facturação”.

Mais grave, salientou, é que “mais de 25 por cento das empresas não conseguiram pagar os salários em Novembro e 09 por cento pagou uma parte. Cerca de 26 por cento das empresas tiveram de recorrer a financiamento, nomeadamente bancário, para poderem pagar os salários dos seus trabalhadores no mês de Novembro”.

Neste cenário, Pedro Machado considera “muito preocupante que mais de 14 por cento das empresas assuma que não vai conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano”.

De acordo com o presidente, as perdas entre Março e Novembro de 2020, comparado com o período homólogo de 2019, são muito relevantes, com 49 por cento dos estabelecimentos turísticos a registarem “perdas de receitas superiores a 50 por cento”.

“Apenas 7,9 por cento tiveram perdas abaixo destes números [dos 50 por cento], que variam entre os 20 e os 30 por cento”, disse o responsável, referindo que, de acordo com o último barómetro da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), calcula-se que “ao nível da restauração e do alojamento existem números muito superiores a estes, nomeadamente ao nível da facturação”.

Pedro Machado referiu, ainda, que “29 por cento das empresas exploram os seus negócios em espaços arrendados e destas, 54 por cento tinham tentado reduzir o valor da renda”, mas sem sucesso.

Segundo o presidente da TCP, “42 por cento dos arrendatários já estavam com rendas em atraso, entre cinco e mais meses de rendas em atraso”.

“Este balão que o Governo anunciou vai poder inverter um pouco esta tendência, mas não acredito que seja suficiente para a ultrapassar, sobretudo aquilo que é a expectativa de perda que se calcula que possa vir a acontecer nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, que são os mais críticos”, sublinhou.

Desde o início do Estado de Emergência, 28 por cento das empresas efectuaram despedimentos, o que significa que, “destas, mais de 33 por cento reduziram o quadro de pessoal entre 25 a 50 por cento, e cerca de 27 por cento destas empresas reduziram em mais de 50 por cento os seus postos de trabalho”.

Jornal Campeão das Províncias


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