Águeda, Aveiro, 13 de Outubro de 2026

Foi criado na UA um dispositivo MicroElectromecânico para aplicações biomédicas

11 de Outubro 2022

Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveram um dispositivo MicroElectromecânico para aplicações biomédicas, vocacionado para a promoção do crescimento ósseo, através da utilização de um substrato metálico biocompatível, revestido com uma camada eletricamente funcionalizada. O trabalho envolveu ainda o
método de produção respetivo. A patente em território europeu já foi concedida.

Os metais biomédicos são vulgarmente usados como elementos de suporte e fixação óssea devido, particularmente, às suas notáveis propriedades mecânicas.

No entanto, a sua fraca bioatividade e consequente baixa osteointegração (ancoragem funcional no tecido ósseo natural), tem motivado investigações e desenvolvimentos nestes substratos para os dotar com diferentes funções biológicas. Têm surgido diversos tipos de modificação da superfície dos implantes metálicos, como estratégias promissoras para a melhoria da osteointegração e resistência dos implantes à corrosão, embora existam ainda limitações.

O grupo de investigação do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro, liderado por Paula Vilarinho, professora do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (DEMaC), em colaboração com Maria Helena Fernandes, também professora do DEMaC, Sebastian Zlotnik e Marisa Costa, desenvolveu um dispositivo MicroElectromecânico para aplicações biomédicas, vocacionado para a promoção do crescimento ósseo, através da utilização de um substrato metálico biocompatível, revestido com uma camada eletricamente funcionalizada, bem como o seu método de produção.

“Estes sistemas apresentam uma maior taxa de formação de fosfato de cálcio, uma maior capacidade de adsorção de proteínas e de adesão e proliferação celulares, promovendo uma melhor integração e regeneração do tecido ósseo hospedeiro”, explica Paula Vilarinho.

Dispositivos que promovem a regeneração óssea Esta tecnologia, agora patenteada a nível europeu, tem aplicação no âmbito da biomedicina, nomeadamente no fabrico de dispositivos BioMicroElectromecânicos destinados à promoção da regeneração do tecido ósseo, diminuindo consequentemente a taxa de rejeição, à substituição de implantes permanentes e ao crescimento biológico ex vivo (fora do organismo) e in vivo (dentro do organismo) de tecidos, entre outras.

Estes sistemas foram desenvolvidos no âmbito do projeto BioMEMs – “Advanced BioMEMs for tissue engineering: applications in hard tissue”, POCI-01-0145- FEDER-032095, tendo já sido objeto desenvolvimentos para além dos reportados na patente, assegurados pelos novos membros desta equipa de investigação: Júlio Rocha, Maxim Ivanov e Noelle Zanini.

Os primeiros ensaios in vivo foram realizados após o registo da patente nacional e conduziram a resultados muito promissores. Decorre a programação da experimentação animal mais dirigida, que permitirá prosseguir a avaliação do dispositivo médico, de acordo com a regulamentação europeia em vigor. Estes estudos estão a ser conduzidos numa estreita colaboração com Ana Colete Mauricio, professora do Departamento de Clínicas Veterinárias, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, e o seu grupo de investigação.

Esta invenção está protegida por patente europeia. Numa fase posterior ao pedido inicial, avançou-se com um pedido de patente internacional e seguidamente com a proteção no território europeu, tendo a patente europeia sido recentemente concedida. Será ainda possível estender a proteção a certos territórios europeus de interesse.

Texto e foto: UA


Todos os direitos reservados • Rádio Soberania - Águeda

Rua José Sucena nº120, 3º andar Águeda, Aveiro, Portugal

Powered by DIGITAL RM