Águeda, Aveiro, 25 de Fevereiro de 2024

Inertes retirados da barra de Aveiro vão ser depositados na orla costeira

9 de Dezembro 2019

Os inertes retirados da barra do porto de Aveiro serão em 2020 depositados na orla costeira, para contrariar os efeitos da erosão e restabelecer o equilíbrio ambiental, revelou hoje à Lusa o Movimento de Amigos da Ria de Aveiro.

Segundo Paulo Ramalheira, responsável do movimento MARIA, O anúncio foi feito pela presidente do conselho de administração dos Portos de Aveiro e Figueira da Foz, na II Conferência do movimento que se realizou sábado subordinada ao tema “Barra de Aveiro – entre a natureza e a intervenção humana.

No encontro foi revelado o destino dos inertes retirados da embocadura da barra e do canal de navegação, a partir de maio de 2020, para manter a profundidade da entrada em porto e da bacia de manobra, já que a movimentação dos fundos arenosos obriga a dragagens de manutenção.

“Fátima Alves assegurou ainda que o Porto de Aveiro está a trabalhar num projeto para a requalificação da marginal dos bacalhoeiros, na Gafanha da Nazaré, que irá proporcionar a elevação da cota e evitar o seu alagamento resultante do aumento da amplitude das marés”, acrescentou Paulo Ramalheira.

Regularmente, por ocasião do preia-mar em marés vivas, a subida do nível das águas deixa toda a marginal intransitável, “mas a presidente do Porto de Aveiro revelou que está a trabalhar em colaboração com a Câmara Municipal de Ílhavo, procurando precaver os piores cenários que podem advir do impacto das alterações climáticas”, acrescentou.

Paulo Ramalheira contou ainda como durante séculos a fio, Aveiro e a sua região viveram momentos de incerteza, sempre que a natureza caprichou e decidiu alterar o curso da entrada de água na laguna, levando a barra a “viajar” ao longo da costa.

O responsável do Movimento de Amigos da Ria de Aveiro lembrou o período em que a barra fechou completamente, “aportando para o interior da laguna a miséria, a doença, o desespero e o desânimo de quem, de repente, perdeu a capacidade de garantir o sustento familiar, daqui resultando a diáspora das comunidades piscatórias locais pela costa atlântica”.

“Volvidos mais de dois séculos sobre a inauguração da obra da Barra de Aveiro, que limitou os efeitos negativos da natureza sobre a região, somos, de novo, confrontados com momentos de incerteza, desta feita em resultado das alterações climáticas que estão hoje na agenda mundial”, observou.

Lusa


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