O antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio faleceu esta quinta-feira, aos 83 anos, em sua casa. A informação foi confirmada pelo presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Manuel Sequeira.
De acordo com o autarca, o corpo de Laborinho Lúcio será velado hoje numa capela em Coimbra, sendo posteriormente transportado para a Nazaré, no distrito de Leiria, onde decorrerão as cerimónias fúnebres.
Natural da Nazaré, onde nasceu a 1 de Dezembro de 1941, Álvaro Laborinho Lúcio teve uma carreira marcada pelo serviço público e pela dedicação à justiça. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi secretário de Estado da Administração Judiciária e, em 1990, assumiu o cargo de ministro da Justiça no governo de Cavaco Silva. Em 2003, foi nomeado Ministro da República para os Açores, durante a Presidência de Jorge Sampaio.
Ao longo do seu percurso profissional, exerceu ainda funções como Procurador da República junto do Tribunal da Relação de Coimbra, inspector do Ministério Público, Procurador-Geral-Adjunto, e director tanto da Escola da Polícia Judiciária como do Centro de Estudos Judiciários.
Na sua terra natal, presidiu à Assembleia Municipal da Nazaré durante o mandato do executivo liderado por Jorge Barroso. Mais recentemente, integrou a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa, contribuindo com o seu conhecimento e experiência para um dos trabalhos mais relevantes da sociedade portuguesa contemporânea.
Homem de vasta cultura e sensibilidade, Laborinho Lúcio destacou-se também na escrita. Estreou-se na ficção em 2014, com O Chamador, editado pela Quetzal, seguindo-se títulos como O Homem que Escrevia Azulejos, O Beco da Liberdade, As Sombras de uma Azinheira e A Vida na Selva. Este ano, lançou Marília ou a Justiça das Crianças, em co-autoria com Odete Severino Soares e com ilustrações de Catarina Sobral.
Foi membro fundador de várias associações cívicas, entre as quais a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima – e a CRESCER-SER, e desempenhou funções como Presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho, entre 2013 e 2017.
Em 2005, foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, atribuída pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.
Figura de referência do pensamento jurídico e da vida pública portuguesa, Álvaro Laborinho Lúcio deixa um legado de integridade, serviço e reflexão sobre a justiça e a cidadania.
Fonte: Campeão das Províncias