Águeda, Aveiro, 8 de Dezembro de 2025

Presidente da Junta de Talhadas acusa autarquia de “bloqueio ao investimento”

25 de Março 2021

O presidente da Junta de Freguesia de Talhadas, António Dias, veio a público manifestar a sua indignação pela “falta de iniciativa e danos causados” ao município, aos munícipes e os investidores, mencionado que há “bloqueio ao investimento” por parte da autarquia. Em causa está, segundo refere, o interesse de uma sociedade que pretende “investir três milhões de euros na Zona Industrial de Talhadas” e que ainda não tem resposta. O Presidente da Câmara respondeu, afirmando nenhuma Zona Industrial (ZI) do concelho tem o espaço disponível e que “qualquer instalação não depende apenas da vontade da Câmara ou da Junta” e que a ampliação ou criação de uma zona industrial “tem que ser sempre aprovado superiormente”.

António Dias sublinha, na carta, que esta pretensão chegou à junta a 20 de setembro de 2020 e que se inteirou dos interesses dos potenciais investidores, conhecendo o projeto em causa, cujo “investimento/financiamento europeu já estava aprovado”. Quis o presidente da junta saber do ponto de situação do alargamento da ZI de Talhadas, um ponto sobre o qual tem “realizado diligências desde o início do mandato”, refere, acrescentando que apresentou a intenção da tal sociedade ao presidente da Câmara na Assembleia Municipal de 25 de setembro de 2020. No mês seguinte reencaminhou para o presidente da Câmara um email enviado pelos potenciais investidores com a apresentação e descrição do projeto bem como o pedido de “disponibilidade urgente de terreno (3600 m2)” para a implantação da unidade.

Na carta, António Dias refere que foi contactado no dia 22 de março pela sociedade a referir que não tinham resposta da autarquia. O presidente da Junta de Freguesia de Talhadas veio assim a público exigir “uma resposta rápida” e que essa “resposta tem de ser positiva e dada até 6 de abril, sob pena do investimento ir para outras ‘paragens’”. António Dias refere que a situação revela uma “enorme falta de respeito e interesse por parte do executivo da Câmara Municipal, pela sociedade, pelos munícipes, em particular pelos habitantes de Talhadas”. O presidente da junta considera “inadmissível desperdiçar um investimento financeiro desta envergadura no concelho”, sendo que para além do investimento, trata-se da criação de “várias dezenas de postos de trabalho”.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal, António Coutinho, publicou, igualmente nas redes sociais, na página de Facebook do Município, a sua versão sobre a situação referida, “a favor da verdade”.

Confirma o autarca que “a aproximação da parte interessada na aquisição de uma parcela de terreno na Zona Industrial de Talhadas ocorreu em outubro último, através do presidente da Junta de Freguesia” e que a Câmara acompanhou desde logo o processo, tendo transmitido a “necessidade e intenção de ampliar a zona industrial”. António Coutinho refere que nenhuma ZI do concelho tem “espaço disponível para dimensão do espaço solicitado”.

António Coutinho diz ainda que é do conhecimento do presidente da Junta de Freguesia de Talhadas “que qualquer instalação não depende apenas da vontade da Câmara ou da Junta”, acrescentando que “a ampliação ou criação de uma zona industrial, passa por um processo complexo e que tem que ser sempre aprovado superiormente”. O autarca frisa que “está em curso o alargamento de várias zonas industriais” e esclarece que no caso da ZI de Talhadas, a intenção de ampliação “já veio recusada por 2 vezes por parte da CCDRC” (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro). Diz o autarca que os serviços municipais estão a trabalhar para “aferir a possibilidade de rapidamente se ultrapassar esta situação”, mas que há aqui outros envolvidos como o “concelho diretivo e da sua disponibilidade para ceder terrenos para o alargamento da zona industrial, do estudo ambiental e do estudo económico e do tipo de terreno”.
No comunicado, António Coutinho refere que “não é certo o investimento anunciado, pois o mesmo depende de quadros comunitários que venham ainda a ser aprovados pelo Governo nesta legislatura (ainda não existem)”. O autarca vai mais longe e diz que são bem bem-vindos os investimentos, mas “em Sever do Vouga não fabricamos áreas à medida dos interesses de cada um, nem tão pouco para projetos que dependem inteiramente de quadros económicos de apoio (fundos perdidos e de apoio ao investimento) que ainda nem sequer estão em vigor”.

António Coutinho manifestou o seu “desagrado por esta ação por parte do Presidente da Junta de Freguesia de Talhadas, ao tornar público nas redes sociais um processo em curso”, afirmando que este “sabe perfeitamente o estado em que se encontra, os passos que estão a ser dados e o empenho deste executivo em levar a bom porto este e outros investimentos.”

Pode ler as cartas na íntegra aqui:
(Presidente da Junta de Freguesia de Talhadas) https://www.facebook.com/antoniodias.dias.372
(Presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga) https://www.facebook.com/…/a.3593559250…/395663838130479


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