A Universidade de Aveiro (UA) assinala hoje, 51 anos, homenageando a escritora Lídia Jorge, na presença do ministro Fernando Alexandre e com uma particularidade: a cerimónia decorre no âmbito da Política de Gestão Sustentável de Eventos da UA.
A escritora Lídia Jorge, nascida em Boliqueime em 1946, vai ser distinguida com o Doutoramento Honoris Causa durante a cerimónia. Isabel Cristina Rodrigues, professora do Departamento de Línguas e Culturas, será a madrinha apresentando as razões que justificam a atribuição desta distinção honorária da UA.
A proposta, levada ao Conselho Científico da UA, de atribuição da distinção à escritora que se estreou no romance com “O Dia dos Prodígios”, sublinha a “familiaridade espiritual” que existe entre os valores que pautam a atuação da UA enquanto instituição de ensino superior e os valores representados na obra da escritora, nomeadamente: “a preservação da dignidade humana, o equitativo acesso do ser humano à educação e ao conhecimento, a defesa e a mobilização do pensamento crítico como modo de intervir no tempo e na História”.
A obra de Lídia Jorge tem sido estudada em trabalhos académicos desenvolvidos na UA e abordada em publicações de investigadores e professores do Departamento de Línguas e Culturas. Da sua autoria, para além de romances, há ainda contos para crianças e para adultos, textos dramáticos, ensaios e crónicas. A própria autora realizou sessões e encontros no campus sobre a sua produção e sobre literatura.
Entre as muitas distinções que lhe foram atribuídas, pode destacar-se a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e o título de Dama da Ordem das Artes e das Letras de França, ambos atribuídos em 2005, sendo posteriormente elevada ao grau de Oficial desta ordem honorífica francesa, em 2015. Na enorme lista de distinções literárias, em Portugal e no estrangeiro, houve quatro atribuídas em 2023, pelo romance Misericórdia: Prémio Eduardo Lourenço – Centro de Estudos Ibéricos (2023); Prémio de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues – FENPROF (2023); Prémio do PEN Clube Português de narrativa (2023) e Prémio Literário Fernando Namora (2023). Esta mesma obra foi a primeira em língua portuguesa a receber o Prémio Médicis para melhor livro estrangeiro, distinção que Lídia Jorge recebeu ex aequo com a escritora coreana Han Kang, Prémio Nobel da Literatura de 2024.
A cerimónia está marcada para as 15h, no auditório Renato Araújo.
Foto: UA